Como o Norte abre um fundo de investimento até a ação
Fundo que compra cota de outro fundo esconde a carteira sem esconder nada: cada camada declara só a camada seguinte. O raio-x do Norte desce a cadeia, pelo CNPJ que a própria CVM publica, até o investimento final — a ação, o título público, o CDB — e mostra quanto de cada real do fundo parou em cada um.
O ponto de partida: a carteira entregue à CVM
Todo mês cada fundo entrega à CVM a Composição e Diversificação das Aplicações — a lista do que tem, com o valor de cada posição. A CVM publica esses dados abertos com cerca de dois meses de atraso. Quando a posição é cota de outro fundo, a própria linha traz o CNPJ do fundo investido.
A descida, camada por camada
Para cada cota de fundo, o Norte abre a carteira do fundo investido no mesmo mês, e repete isso em cada camada, até seis — o bastante para fundo alimentador, fundo mestre, veículo, fundo de índice e fundo de fora do país; mais que isso é ciclo ou erro de dado.
A ligação entre um fundo e outro é sempre pelo CNPJ publicado na carteira, nunca por parecença de nome.
Quanto chegou em cada investimento
O valor que chega na ação é a fatia do fundo em cada camada, multiplicada de camada em camada sobre os centavos declarados — não sobre porcentagens já arredondadas, que em três camadas perderiam R$ 111 a cada R$ 370 mil. Nenhum investimento é descartado por ser pequeno, e o peso de cada um é mostrado sobre o patrimônio do fundo de origem.
Quando o mês mais novo não fecha
Se a carteira mais recente tem buracos — posições protegidas pelo prazo legal, ou um fundo da cadeia que ainda não publicou —, o raio-x recua para o retrato coerente de três ou de seis meses antes, em vez de mostrar o que sobrou como se fosse a carteira inteira. A ficha diz quando usou um mês anterior.
O que não dá para abrir
- Nome protegido pelo prazo legal
- O gestor pode manter o nome de alguns investimentos em sigilo por até 90 dias depois do fim do mês — 30 dias em renda fixa Curto Prazo, Referenciada e Simples, e até 180 com autorização da CVM. Nesse período o valor aparece, o nome não.
- Fundo de fora do Brasil
- Quando o dinheiro vai para um fundo de Luxemburgo, por exemplo, a abertura para ali: a CVM não publica a carteira dele. Dali em diante só o material do gestor lá fora mostra onde está aplicado.
- Swap, futuro e outros contratos
- Entram pelo valor do contrato, que não é o tamanho real da aposta. Um fundo que copia um índice por contrato aparece com pouco valor nos contratos e muito em título público.
- Fundo imobiliário
- O informe mensal do FII agrupa os valores por tipo de investimento. A camada aparece agregada e marcada como agregada, nunca como imóvel ou título individual.
Nada disso é espalhado entre os investimentos conhecidos para fechar 100%: o que não foi publicado aparece como lacuna, com o valor. Por isso a soma pode ficar abaixo, ou acima quando o fundo tem dívida.
Quando o raio-x é calculado
Abrir um fundo de fundos grande leva de dez segundos a mais de um minuto. Por isso a conta não acontece na hora da visita: toda noite, depois das 20h de Brasília, uma rotina recalcula os fundos que investem em outros fundos, dos maiores para os menores, e a ficha mostra o resultado pronto. Fundo que investe direto não precisa de raio-x — a carteira declarada já é onde o dinheiro está.
A conta contrária: os fundos que têm uma ação
A ficha de cada ação faz o caminho inverso: quantos fundos declaram a ação na própria carteira, no mês publicado de cada um, e quanto isso soma. É contagem de declaração direta, não de raio-x — um fundo de fundos que chega na ação só por meio de outro fundo não entra nela. Veja na ficha da PETR4.
Perguntas sobre o raio-x dos fundos
O que é o raio-x de um fundo de investimento?
É a carteira do fundo aberta até o investimento final. Fundo que compra cota de outro fundo declara só a camada seguinte; o raio-x entra em cada fundo investido, pelo CNPJ que a CVM publica, até chegar na ação, no título público ou no CDB, e mostra o peso de cada um sobre o patrimônio do fundo de origem.
De onde vem a carteira dos fundos?
Da Composição e Diversificação das Aplicações (CDA), a carteira mensal que cada fundo entrega à CVM e que a CVM publica em dados abertos, com cerca de dois meses de atraso. Fundo imobiliário usa o informe mensal próprio, que agrupa os valores por tipo de investimento.
Por que a soma do raio-x não dá 100%?
Porque nada é espalhado para fechar a conta. Dívidas do fundo, contratos pelo valor de mercado e posições protegidas pelo prazo legal fazem o total ficar diferente de 100%, e o que a CVM não publicou aparece como lacuna, com o valor.
Com que frequência o raio-x é atualizado?
Toda noite, depois das 20h de Brasília, uma rotina recalcula os fundos que investem em outros fundos, dos maiores para os menores, e refaz o raio-x de quem publicou carteira nova. A ficha mostra o mês da carteira usada.
Abra a carteira de qualquer fundo
Busque pelo nome ou pelo CNPJ. A ficha mostra a carteira declarada, a rentabilidade contra o CDI e, nos fundos de fundos, o raio-x.
Fontes e limites destes números
- Carteiras da Composição e Diversificação das Aplicações (CDA) publicada pela CVM em dados abertos; fundos imobiliários pelo informe mensal.
- Profundidade de até seis camadas, recuo de três ou seis meses e conta em centavos conforme implementados no rastreio do Norte.
- O que os fundos precisam divulgar, e em quanto tempo, está na Resolução CVM 175, Anexo I.
- Dado público pode ter erro, atraso e correção posterior. O raio-x descreve a carteira publicada, não recomenda fundo nenhum.
Esta página descreve dados públicos. Não é recomendação de investimento, não há ordem de compra ou venda aqui, e resultado passado não garante resultado futuro. Regra da CVM sobre o que os fundos divulgam